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Morte no 4º andar
Roberyk
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Ele correu atrás dela com uma faca na mão. Ela, tentando fugir , correu da sala para o quarto, enquanto ele esbravejava, furioso.
- Volta aqui sua vadia!
Estava visivelmente transtornado. Nunca ninguém o tinha visto dessa forma. Enquanto corria, jogava cadeiras ao chão. Seus olhos faiscavam de tanto ódio. Havia chegado ao limite extremo de sua paciência.
No apartamento do andar abaixo, Clarissa se assustou. O que estaria ocorrendo lá em cima? Uma amarga lembrança lhe tomou os pensamentos. Ligaria para a polícia. Sim, precisava avisar a polícia. Não deixaria acontecer com outra pessoa o mesmo que ela sofrera na carne. Tinha que ser rápida. Discou 190 e só ouviu aquele sinal de ocupado. Tentou várias vezes sem êxito. Desesperou-se, precisava fazer algo.
Do andar de cima veio aquele barulho surdo de um corpo caindo ao chão, acompanhado daquela voz enfurecida. Dessa vez mais alto. Pela localização do som concluiu que estavam no banheiro. Meu Deus, ele vai matá-la. Tentou novamente a polícia e a linha sempre ocupada. Merda. Saiu correndo do seu apartamento em direção às escadas. Precisava chegar a tempo de evitar um assassinato. Ela tinha certeza que ele a mataria, podia sentir isso. Como no passado, não fosse se fingir de morta. Correu, com todas as suas forças reunidas. Tinha que chegar rápido. Caralho, ninguém para pedir ajuda.
Thomas esboçava um sorriso cínico. Na mão direita empunhava aquela faca pontiaguda e afiada que colocou vagarosamente no pescoço dela. Não haveria perdão dessa vez. Tentou envenená-la outro dia mas não deu certo, a cretina sequer tocou na comida. Se a única maneira de acabar com ela era sujando suas mãos de sangue, que assim fosse. Olhava fixamente nos olhos dela. Queria ver aquele olhar vagabundo na hora da sua morte.
Clarissa chegou sôfrega na porta do apartamento 401. O ar tornara-se rarefeito em seus pulmões. seu coração dava sinais de que estava prestes a sair pela sua garganta. Pôde ouvir ele gritando.
- Sua piranha. Já agüentei demais suas porquices. Toda santa noite. Chega! Vou te mostrar de uma vez por todas quem é que manda nessa porra. Tá me ouvindo? Sua vadia! Olha nos meus olhos agora. Quero ver esse teu sorriso cínico. Vamos, sorria, sua puta. Não consegue não é? Então fique sabendo meu bem, que teu sangue será a última coisa que limparei. Quem é que manda agora? Heim?
O coração de Clarissa começou a bater descompassado. Ele vai matá-la. Precisava impedir de qualquer jeito. Imagens do passado se misturaram com os gritos de Thomas. Era um pesadelo. Bateu com força na porta do apartamento. Tentou gritar mas a voz não saiu. Suas pernas fraquejaram. Bateu com mais força. Quem sabe ele desistiria. Sentiu falta de ar, uma dor aguda no peito, os olhos turvaram e Clarissa caiu, sem vida. Os braços estirados tentando num último ato, abrir aquela porta. Suas unhas quebraram-se com a força descomunal que fez ao arranhar aquela madeira. Olhos arregalados, fixos na fechadura. Sua boca ficou aberta, como se soltasse um último grito do fundo de sua garganta, em frente à porta do 401.
Thomas ouviu o barulho na porta no momento em que fechou a torneira da pia. Já havia colocado o corpo dela em um saco e deixado no canto do banheiro. Mais tarde se encarregaria de tirá-lo dali.
Quem poderia ser uma hora dessas? Que diabos. Desde que se mudara para aquele maldito prédio não tinha sossego. Estava ficando neurótico. Ou eram os vizinhos lhe perturbando a todo momento, ou eram aquelas malditas ratazanas vadias, como a que acabara de matar. |
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Oscar Bessi Filho,
18/2/2010 14:54:58 |
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Ah, mas que conhece o autor sabe da sua ironia, do sarcasmo fino e inteligente, das construções surpreendentes que só ele consegue fazer. De fato, o conto tira o fôlego do leitor, e a reviravolta final nos faz rir e ficar indignado ao mesmo tempo. Um grande texto, parabéns mais uma vez! |
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Fabio Zen,
30/1/2010 00:49:53 |
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Totalmente envolvente conduzindo o leitor a uma dedução errada e dando uma belissima guinada,muito irônica,brincando com quem lê,esse é uma das grandes qualidades do Roberyk como escritor.Parabens! |
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Paulinho,
27/1/2010 13:15:49 |
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HAHAHA rapaz, imaginei algo totalmente diferente... |
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Beto,
25/1/2010 21:49:46 |
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Interessante e envolvente. |
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Valdeci Garcia,
25/1/2010 10:19:11 |
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Muito bom este entrelaçamento de histórias, com um final surpreendente; como convém a um bom conto. Parabéns! |
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